Das coisas que por aqui ou acolá posto, o tempo é um dos temas recorrentes. Na verdade, a passagem do tempo, o tempo passando, indo, se findando. Essa coisa que parece um andar em círculos, mas ao mesmo tempo é um caminhar em linha reta. Tenho certo fascínio pelo tempo passando. Por vezes, é como se a vida corresse em direção a um desfiladeiro e cada segundo que passa estamos mais próximos dessa “hora derradeira”, turva, inadiável, de saltar, de olhos fechados ou não. Talvez, mais até do que o tempo passando, o que me impressiona mesmo é a consciência de que o tempo passa, de que o tempo é implacável. Consciência que vem naquele período pós-adolescência, início da juventude, ali perto dos 25 anos. Quando se sai daquela coisa quase inerte da infância e adolescência, quando tudo cresce ao mesmo tempo que você, e se cai na estagnação própria, enquanto as coisas ao teu redor continuam a crescer, mas você não. É sua turma crescendo junto contigo até que tudo para, aí vem os filhos da tua turma que vai crescendo, crescendo, crescendo, até o dia que finalmente devem parar. Fora isso, ao mesmo tempo que o tempo passa, a vida é corrida, e a sensação de que o não há tempo suficiente é cada vez maior – essa coisa sufocante, pós-moderna, nossa de cada dia. Existe, ainda, o tempo engarrafado, que nos é roubado nas pequenas coisas do dia-a-dia: horas em elevadores, no trânsito, na fila do banco, procurando vagas num estacionamento qualquer, em pé num coletivo, sentado numa privada, pensando num monte de bobagens como essas… Daí, então, o jogo do Flamengo no domingo, o cineminha na segunda, o beijo molhado e inesperado depois de uma noite boa de sono, de pernas entrelaçadas, passam a ter uma importância imensa.